domingo, 20 de março de 2016

A Verdade sobre o Álcool


Entre as grandes pragas que assolam o mundo destaca-se o problema do álcool, um produto tóxico conhecido e um problema imenso da saúde pública. Este problema não encontrou uma solução eficaz e o perigo alastra-se cada vez mais. Com o desenvolvimento do nível de vida, não só nos centros urbanos mas também na província, e entre os jovens, o uso de bebidas alcoólicas generaliza-se.

Muitas vezes são também costumes culturais e hábitos sociais que tendem a estimular o uso de álcool.

Por outro lado manifesta-se uma extrema ignorância e até falsas informações sobre o problema. É por isso que vamos estudar o assunto, pois "vale mais prevenir do que remediar", como diz o povo. O médico, que vê muitas vezes, vidas humanas arruinadas pelo álcool, deseja dar um aviso solene para salvar pelo menos algumas, mas também a Palavra de Deus nos fala da posição que o crente deve ter nesta matéria.

Publicação integral do livro:
A Verdade sobre o Álcool
Dr. R. Bréchet


Como se obtém o álcool

O que é o álcool? O álcool é um líquido obtido pela destilação de qualquer substância capaz de fermentar. Há vários tipos de álcool, mas em geral a palavra designa o álcool etílico, um dos dois tipos de álcool venenosos (sendo o outro álcool, o metílico ou o álcool de madeira).

O álcool etílico tem origem na fermentação do açúcar. Há numerosas substâncias, 
quase todas de origem vegetal, que têm açúcar ou podem ser transformadas em açúcar.
  1. As que têm açúcar são: Frutas (uvas, maçãs, laranja, etc. ...), raízes e tubérculos (beterraba), cana de açúcar, seiva de certas palmeiras, etc;
  2. Os farináceos contêm amidos que podem transformar-se em açúcar: Arroz, milho, trigo, batata, banana, castanha, feijão, mandioca, etc. ...
A fermentação faz-se por leveduras, plantas microscópicas, que têm o poder de dividir o açúcar em gás (óxido de carvão) e em álcool. Se o processo de fermentação vai mais adiante, o álcool divide-se e dá ácido acético, que é a base do vinagre.

Acção do álcool fora do corpo

O álcool é muito usado nas ciências e na indústria. Ele tem duas funções químicas:

  1. É um dissolvente e por isso muito usado na indústria (e até na farmácia) porque dissolve as gorduras, óleos e outras substâncias que a água não dissolve;
  2. É um desidratante, capaz de extrair a água duma substância, portanto um bom preservador ou endurecedor como demonstram experiências feitas com um pedaço de fígado ou ovos colocados dentro do álcool.
Além disto, tem a função física de carburante, pois pode queimar e usa-se para fogões de álcool, ou mistura-se com gasolina para automóveis, etc. Finalmente, é usado como desinfectante, pois mata os micróbios, livrando deles, por exemplo, a pele.

Bebidas com álcool

Ao estudarmos o efeito do álcool sobre o homem, sabemos que desde os tempos remotos o álcool é usado em bebidas. Estas bebidas são variadíssimas e dividem-se em dois grupos:

A. Bebidas fermentadas.

Algumas são fracas e contêm 2-4% de álcool, como a cerveja. Outras são mais fortes como o vinho, que tem de 6 até 13% de álcool.

B. Bebidas destiladas.

A destilação é o processo de extrair álcool duma substância ou bebida fermentada. Visto que o álcool evapora, com o calor, mais depressa do que a água, a destilação faz-se no alambique onde a substância já fermentada é fervida. Os vapores escapam-se por um tubo onde arrefecem e tornam-se outra vez líquido.

Este líquido é mais rico em álcool, portanto mais tóxico. Nas bebidas destiladas temos:

  • vários licores com 30-40% de álcool;
  • aguardente, rum e uísque até 50 e 60% de álcool;
  • jeropiga, a qual tem também muito álcool.
As bebidas destiladas são perigosas não somente pela grande proporção do álcool, como também pela presença de várias essências tóxicas que são extraídas na destilação e que provocam às vezes comportamentos semelhantes à loucura.

Entre as bebidas fermentadas e destiladas há também várias bebidas que são misturas das duas espécies e às vezes misturadas com vários produtos químicos, muitos deles perigosos.

Efeitos do álcool sobre a pessoa.

O que acontece com o álcool que uma pessoa bebe?

Antes de estudar os efeitos do álcool sobre o organismo, tem de se dizer que o álcool é um veneno. Há pessoas que pensam que a palavra «veneno» se aplica somente às substâncias que, uma vez ingeridas, causam a morte; mas o veneno, é qualquer substância que absorvida pelo sangue prejudica ou interfere com o funcionamento de qualquer órgão do corpo.

O álcool ingerido passa no esófago, no estômago e nos intestinos onde é absorvido pelo sangue que vai à veia porta, no fígado e de lá ao coração de onde é lançado para os capilares de todo o corpo e até ao cérebro. Sai nas urinas, transformado em «aldehydes» (outro corpo químico).

Acção geral do álcool.

Faz-se sentir praticamente em todos os órgãos. Há:
  1. Irritação directa das vias digestivas e doutros tecidos. As células irritadas acabam por degenerar;
  2. Desidratação dos tecidos, visto que o álcool é desidratante. Isto leva à esclerose dos tecidos;
  3. Congestão e êxtase sanguínea, dilatação dos vasos sanguíneos;
  4. Perturbação das substâncias gordas «nobres», por exemplo das fibras nervosas, visto que o álcool é solvente. 
Por estes modos o álcool, veneno da célula, provoca um envenenamento agudo ou crónico, que se manifesta em vários órgãos.

Órgãos mais atingidos:

O estômago sofre, fica irritado e às vezes inflamado (gastrite alcoólica, de vários graus, com vómitos aquosos logo de manhã, perda de apetite, dores surdas do estômago, etc...).

  • O fígado é um órgão muito atingido pelo veneno. Conhecem-se várias cirroses do fígado, que têm uma relação directa ou indirecta com o hábito de ingerir bebidas alcoólicas e, são seguidas de ascite, emagrecimento, etc;
  • O intestino sofre também e não absorve bem os alimentos; certas vitaminas, não são absorvidas;
  • O coração é logo irritado e bate vigorosamente. Em alcoolismo crónico ele pode ter sobrecargas gordurosas que o prejudicam;
  • O sistema nervoso sofre muito mais ainda, sendo a principal vítima do veneno.

A acção do álcool sobre o sistema nervoso.

O efeito mais importante nota-se no nosso sistema nervoso. O sistema nervoso é como um sistema telefónico. Ele liga o cérebro com todos os músculos do corpo. Os nervos comunicam os impulsos do cérebro que mandam os músculos trabalhar e comunicam ao cérebro a situação das várias partes do corpo e as dores que manifestam o sofrimento de alguma parte do corpo. Acima disto o próprio cérebro é a sede do juízo, da vontade, da memória e das muitíssimas funções mais elevadas do corpo humano.

Ora, as fibras nervosas que compõem os nervos são envolvidas (isoladas) duma substância gorda, a mielina e também as células do sistema nervoso ficam isoladas numa substância gordurosa (lipoides). Como o álcool é um dissolvente das gorduras, vê-se que ele ataca logo o sistema nervoso, e também porque tem propriedade desidratante (o álcool), perturba as células nervosas, muitíssimo sensíveis. É por isso que o primeiro efeito que se nota na pessoa que ingeriu uma bebida alcoólica, está no sistema nervoso, onde aparecem numerosas perturbações.

Vejamos as mais graves:

A. Alcoolismo agudo.

Isto designa as perturbações, sobretudo das faculdades mentais, depois de beber muito álcool em certa altura. Há três fases ou períodos:

  1. Euforia (de que falaremos mais adiante);
  2. Embriaguez, com grandes perturbações dos movimentos, fala e ausência de juízo. A embriaguez pode ser alegre, triste ou perigosa, especialmente em bebedores de bebidas destiladas, com essência como o bagaço, etc. Ela pode ser barulhenta, furiosa ou com convulsões;
  3. Coma alcoólico. Bebendo ainda mais a pessoa embriagada pode perder os sentidos. A respiração é rápida e superficial, o coração acelera e a tensão arterial baixa, a face fica congestionada. A pessoa não fala nem responde, nem sente dores, pode cair no fogo e queimar-se até aos ossos. Os reflexos dos tendões são em geral abolidos. Se a dose de álcool for forte demais, o coma alcoólico pode ser fatal.
B. Alcoolismo crónico.

Neste caso o sistema nervoso, danificado por beber já há algum tempo, apresenta uma série de doenças graves. Estas podem também aparecer sem que o alcoólico nunca tenha sido encontrado bêbedo, mas em geral houve ingestão regular de doses tóxicas de álcool.

O alcoolismo crónico manifesta-se por perturbações nervosas e mentais de vários órgãos. Os sintomas são mudanças de atitudes (labilidade afectiva), inconstância e egocentrismo (só pensa em si). O alcoólico é em geral eufórico: "Vai tudo bem"! Ele não faz caso dos seus excessos e sabe sempre explicá-los. A sua memória e o juízo baixam. Torna-se desconfiado e muitas vezes invejoso e ciumento. Às vezes aparece um tremor forte da língua, lábios e dedos, além de gastrite, cirrose e polinevrite. Nas formas graves pode ter atrofiamento dos nervos ópticos (cegueira) e convulsões.

C. As complicações do alcoolismo crónico:

São muitas e em especial duas:

  1. Delirium tremens. É um surto agudo de psicose (loucura) que pode aparecer depois duma embriaguez forte, dum pequeno desastre ou pancada ou duma infecção. O doente tem alucinações visuais: Vê coisas pequenas, irreais inexistentes, e ouve sons e barulhos. O doente fica eufórico e também angustiado, com agitação constante, perseguindo as suas alucinações. A crise passará dentro de 2 a 5 dias. O doente deve permanecer hospitalizado;
  2. Psicose grave (Korsakoff). Trata-se duma loucura que não é passageira, com perturbações mentais graves e muitas vezes inflamações dos nervos, sobretudo nos membros. Em geral há uma relação entre alcoolismo e loucura. Nos países que se conseguiu reduzir o consumo do álcool, verificou-se que o número de loucos baixou.
O fim dos alcoólicos pode ter também as complicações acima mencionadas ou numa decadência progressiva e geral. Enfim, muitos alcoólicos vão para a cadeia por crimes, ou acabam pelo suicídio.

Primeiros efeitos do álcool.

Logo que uma bebida alcoólica é ingerida, o álcool entra no sangue em menos de 15 minutos e começa a actuar no sistema nervoso central.

Antes de tudo, o álcool é um narcótico, isto é, adormece os sentidos. A vítima vê, ouve e sente menos. E mais: A vítima é enganada. O álcool alivia temporariamente a preocupação, a tristeza e a tensão mental; oculta dificuldades e esconde sentimentos de inferioridade; o fraco sente-se forte; o ignorante, inteligente; o pobre, rico; o oprimido, livre; e o mau, bom. Julga que é bom condutor quando poderá tornar-se num assassino! Ele é também deprimente das funções físicas (dos vários órgãos). Muitas vezes a vítima, por não sentir dores, nem tristezas, tem uma sensação de euforia (contentamento, alegria), "não faz mal"; "tanto faz"; "é a mesma coisa!"; "Indiferença".

Assim, notam-se três fases, quando o álcool entrou em contacto com o sistema nervoso:

1ª Fase:

O álcool ataca primeiramente a superfície do cérebro que tem os centros do juízo. A análise crítica de si mesmo é amortecida: o pudor, o sentimento de dignidade e de vergonha diminuem; e a personalidade também é diminuída.

O domínio próprio é enfraquecido, os impulsos dos instintos não são bem controlados. O álcool leva o homem a praticar coisas que ele não poderia nem desejaria praticar antes de começar a beber. "E dirás: Espancaram-me, e não me doeu; bateram-me, e não o senti; quando despertarei? Então tornarei a beber." (Provérbios 23: 35)

Há perda do sentimento da responsabilidade pessoal. O alcoólico não pensa mais nas consequências dos seus actos, nem na sua família, apenas quer mais um copo.

2ª Fase:

Os sentidos perdem precisão e o campo de observação fica mais limitado. A coordenação muscular enfraquece de tal modo que não há precisão e habilidade em movimentos rápidos e a capacidade mental é reduzida. É assim que acontecem muitos acidentes na estrada.

3ª Fase:

Caracteriza em geral a embriaguez. O ébrio não pode falar claramente, não pode controlar o corpo, os membros reagem vagarosamente e a visão é imperfeita. Faz barulho. Não ouve nem obedece quando os outros o avisam. Quer lutar. O equilíbrio do corpo não funciona bem e cai facilmente. As faculdades emotivas são alteradas ou paralisadas. Quer beber muito mais.
A formação de vício

A formação de vício é um dos efeitos mais perigosos do álcool, que lhe dá, por vezes, um carácter diabólico. Está provado 
cientificamente que o álcool modifica a célula nervosa a qual é a causadora do vício. O álcool forma um hábito que exige imperiosamente a sua satisfação. Quanto maior for o prejuízo ao sistema nervoso, tanto mais forte é o hábito e tanto mais fraca a vontade para resistir. Há um provérbio japonês que diz: "Primeiro o homem toma a bebida, depois a bebida toma a bebida e finalmente a bebida toma o homem".

O homem bebe um pouco... precisa mais. Bebe mais e... ainda precisa mais, até tornar-se escravo. Talvez tenha começado com bebidas alcoólicas fracas, como a cerveja, e continuando, sente o desejo de alguma coisa mais forte; passa ao vinho, por exemplo, mas mais tarde o vinho já não satisfaz e procura bebidas destiladas.

Não sabe como parar e precisa sempre de mais, ao ponto de não poder dominar controlar-se. Precisa de álcool a todo o custo e por isso faz tudo ao seu alcance para o obter. Todo o seu salário vai para o álcool mas não chega. Vende a roupa, rouba, etc.

Na história, o uso do álcool é conhecido como arma de guerra. Os oficiais japoneses quando invadiram a China davam aos soldados grandes quantidades de ópio e álcool gratuitamente e persuadiam os jovens a beber.

No princípio o uso de álcool não parece ser perigoso, mas pouco a pouco os alcoólicos são reduzidos à escravidão e tornam-se estúpidos. "A vida desregrada e as bebedeiras fazem perder o juízo ao meu povo." Oséias 4:11

Conclusões sobre os efeitos do álcool no sistema nervoso.

O valor de uma pessoa está no cérebro. Quer seja mecânico, agricultor, caçador, estudante, professor ou cozinheiro. Toda a sua arte, o seu saber, a sua experiência de lavrar ou fazer casas, etc., tudo vem do seu cérebro. "Por isso é preciso que o cérebro se mantenha lúcido e isto não podereis fazer com álcool". (Dr. Ch. Mayo).

A maior parte dos desportistas não usam álcool. Uma campeã de ténis disse que um copo de cerveja é bastante para impedir a coordenação e o equilíbrio. A precisão exige uma abstinência total. Nos jogos olímpicos de Los Angeles ouvia-se: "Com o álcool não se pode vencer".

As companhias de caminhos de ferro e de aviação de muitos países proíbem a bebida aos seus condutores de comboios e pilotos. Basta serem vistos num lugar onde se vendem bebidas alcoólicas para serem despedidos dos seus empregos.

Os efeitos do álcool sobre a eficiência do trabalho são maus: o trabalho é menos eficaz e mais demorado.

Outros efeitos prejudiciais do álcool. 


A. A influência sobre as doenças

Foi descoberto há muito tempo que as bebidas alcoólicas, em vez de destruir os micróbios nocivos no corpo, paralisam os glóbulos brancos do sangue (leucócitos) que lutam contra os micróbios, impedindo-os assim de vencer as infecções.

Vários especialistas reconheceram que o álcool agrava as doenças. Em Portugal o alcoolismo é a 4ª causa de morte, vitimando mais de 8.000 pessoas por ano. Grandes inquéritos estatísticos como o do professor M. Roch, de Genebra, provaram que o alcoolismo, além de causar certas doenças, é um factor agravante sobre quase todas, pois diminui o sistema imunológico do corpo humano.

A tuberculose pulmonar, em especial, desenvolve-se facilmente numa pessoa alcoólica, conforme constatam vários médicos especialistas.

Também, as doenças venéreas, tais como a sífilis e outras doenças são espalhadas muitas vezes pela acção do álcool, que enfraquece as faculdades mentais superiores.

B. Influência sobre a mortalidade.

O uso continuado do álcool, mesmo em pequenas quantidades, é um envenenamento progressivo e vagaroso. O bebedor moderado tem em média menos três anos de vida do que os abstinentes.

C. Efeitos sobre a descendência.

O álcool pode exercer uma acção directa sobre as células antes da concepção e também durante o período de desenvolvimento do feto.

O prof. Dr. L. Bianchi, da Itália, disse: "Uma mãe alcoólatra traz ao mundo um criminoso, ou quando não, um epiléptico, idiota ou um louco".

O álcool não tem influência sobre a quantidade de filhos mas sobre a qualidade, sobretudo no alcoolismo crónico. É talvez o perigo maior do alcoolismo, a sua contribuição para degenerar a raça humana. Os filhos nascem com uma hereditariedade pesada: com tendência para beber álcool e com um cérebro enfraquecido na vontade. Outros apresentam doenças nervosas e muitos morrem. O prof. Dr. Deume, de Berna, Suíça, fez um estudo da história de 10 famílias abstinentes e de 10 famílias que bebiam. As abstinentes tiveram 61 filhos, as que bebiam 57. Mas entre estas 57 houve 36 prejudicadas (deformados, epilépticos) e 12 morreram na infância, ao passo que nas famílias que não bebiam houve só 6 prejudicadas e 5 que morreram na infância.

O álcool é destruidor da descendência.

D. Efeitos do álcool sobre a sociedade.

"No alcoolismo nunca se trata duma única pessoa, mas sempre do problema duma família completa, ou de um grupo. Nós, os médicos psiquiatras, vemos de perto o sofrimento terrível das famílias, a má influência nos filhos, as brutalidades sobre o conjugue. Tudo isto bem escondido por baixo duma falsa alegria e camaradagem, e atrás de palavras louvando a 
(suposta) acção benéfica do álcool". (Prof. Dr. C. Muller, 1965).

Pense numa aldeia de bêbedos. Gostaria de viver ali? Gostaria que os seus filhos frequentassem essa escola?

O álcool provoca:

1. Lutas, imoralidade, confusão. Os bons hábitos, uma boa educação, desaparecem com uma quantidade relativamente pequena de álcool. O homem bom transforma-se num lobo e também muitas vezes um porco. Ele não sabe mais dominar o seu corpo: torna-se um selvagem.

2. Pobreza e crime. O alcoólico não tem preocupação com o futuro; gasta os seus bens e deixa a família na miséria. A saúde começa a deteriorar-se. Há acidentes. A dedicação ao trabalho desaparece e uma grande parte de crimes são cometidos sob a influência do álcool.

3. Destruição da família. O álcool tira o amor e respeito nos casais, pais e filhos. A miséria, a doença, as zangas e as pancadarias estragam os bons sentimentos. As crianças sofrem mais do que se pensa, além do sofrimento de serem filhos de alcoólicos.

4. Destruição de nações. O que o álcool faz numa família, faz numa aldeia, num grupo de trabalho, numa nação. Nos Estados Unidos, o álcool e a tuberculose extinguiram a bela raça dos «Peles Vermelhas». Está bem provada a má influência e relação do álcool na tuberculose.

Porque é que muitas pessoas começam a beber?

Há várias razões para isto:

1. Mau ambiente na família: O pai bebe. Embora proíba aos filhos as bebidas, pensarão que serão homens verdadeiros quando imitarem o pai.

2. Maus amigos. Ás vezes um indivíduo bebe e despreza os seus amigos que recusam beber. Assim estes começam a beber porque não querem ser marginalizados: "Se não beberes não terás amigos". Não vêem que na realidade são grandes inimigos. Julgam que podem deixar de beber quando quiserem, mas depois de algum tempo descobrem que são escravos do álcool.

3. A propaganda das industrias do álcool. Certas campanhas são muito agressivas anunciando falsas ideias sobre o álcool; por meio da mentira e slogans atractivos procuram convencer as pessoas a beber. A publicidade comercial pretende fazer crer que a cerveja é inofensiva, que o vinho é uma óptima bebida para a saúde, para as relações sociais, etc. Em alguns países é proibida a atribuição deste tipo de falsas propriedades às bebidas alcoólicas.

4. A procura de afectividade e valorização pessoal. Certas pessoas julgam que não prestam, que não têm sorte, que nunca vão ter alegria nesta vida. Querem esquecer as tristezas, a pobreza, os desgostos. O álcool traz-lhes esse esquecimento e uma alegria falsa.

5. A fraqueza do carácter. Certas pessoas não têm força de vontade para resistir às tentações que encontram. Isso vem muitas vezes do facto de não terem sido educadas, desde a infância, a dominar os seus apetites. Crescem habituadas a satisfazer sempre todos os seus desejos.

Falsas ideias sobre o álcool.

1. Existe a ideia de que o álcool é um estimulante da inteligência e das actividades do corpo. Porque se pensa assim? Na verdade o álcool paralisa os nervos, como narcótico que é! Ele engana, quase não sente cansaço, o corpo pensa que está forte, a vontade adormece. O doente é excitado, grita. Mas o álcool não estimula, deprime! álcool é um produto irritante. Experimente colocar álcool nos olhos! Uma ligeira irritação do estômago pode estimular, isto vê-se no conselho de Paulo ao jovem Timóteo, que muitos tomam como desculpa para beber! (I Tim. 5:23). Naqueles tempos poucos remédios estavam ao dispôr, hoje temos estimulantes eficazes para o estômago, portanto não há necessidade do álcool!

2. Existe a ideia que o álcool aquece o corpo no tempo de frio. Isto vem da sensação de calor na garganta, por irritação na sua passagem. Mas não aquece, embora a oxidação do álcool liberte calorias. A razão disto é que o álcool dilata as veias, o que faz baixar a temperatura do corpo. Isto é a causa dos resfriamentos ou pneumonias depois duma embriaguez. O álcool na verdade, engana, mas não aquece!

3. Existe a ideia que o álcool é nutritivo. O álcool não é comida pois não contém elementos para crescimento (proteínas), para ajudar o seu funcionamento (minerais, vitaminas) e não produz calor efectivo. A única coisa que dá é um pouco de energia e tira a sensação de fome, fazendo pensar que é um alimento.

4. Existe a ideia que o álcool é bom medicamento. De facto há alguns medicamentos dissolvidos em muito pequenas quantidades de álcool para entrar melhor no corpo, mas o álcool não é medicamento. Pelo contrário paralisa os glóbulos brancos. Ele só é medicamento para limpar a pele, desinfectando, ou seja, directamente aplicado em estado puro, mata células e micróbios.

II. O QUE A BÍBLIA ENSINA

SOBRE OS PROBLEMAS DO ÁLCOOL

Nos países onde o povo de Israel habitava, havia culturas de videiras e o povo bebia, como hábito, sumo de uva (não fermentado), mosto (sumo fermentado) e vinho (fermentado). Mas desde os tempos mais remotos o vinho causou desastres, como por exemplo, a queda moral de Noé. Duma maneira geral quando não há abusos, a Bíblia não proíbe o uso de vinho. Então por que é que algumas Igrejas resolveram exigir a abstinência do álcool aos seus membros? O facto é que nos nossos povos o abuso da bebida é uma das maiores causas do estrago físico, moral e espiritual. "Não erreis: os bêbados não herdarão o Reino de Deus". (I Cor. 6:10, Gal. 5:21).

O vinho, como as várias espécies de bebidas alcoólicas, tornaram-se para muitos milhares de pessoas em "escândalo" e uma pedra de tropeço. Por isso Jesus, que conhece o coração humano, não diz: "voltai a ser moderados", mas ordena que se renuncie inteiramente e para sempre:

"Portanto, se a tua mão ou o teu pé te fazem cair em pecado, corta-os e atira-os para longe! É melhor entrares na vida eterna sem uma das mãos ou um dos pés do que seres atirado ao fogo do inferno levando as duas mãos e os dois pés. Do mesmo modo, se um dos teus olhos te faz pecar, arranca-o e atira-o para longe! É melhor entrares na vida eterna só com um olho do que seres atirado com os dois ao fogo do inferno." Mateus 18:8-9

Portanto, a abstinência total é uma opção positiva dada por Jesus a todos aqueles para quem as bebidas alcoólicas são uma pedra de tropeço e os faz cair no pecado.

Mas para quê pedir a abstinência a pessoas que não abusam? A Palavra de Deus mostra-nos que devemos, por causa dos fracos "não agradar a nós mesmos". "Nós que somos fortes na fé devemos suportar as fraquezas dos que não são como nós, sem procurarmos aquilo que nos é agradável. Cada um de nós deve agradar ao seu próximo naquilo que for bom para o fortalecer na fé. Pois também Cristo não procurou o que lhe era agradável. Pelo contrário, passou-se com ele o que diz a Escritura: Os insultos daqueles que te insultavam caíram sobre mim." Rom. 15:1-3 "Tudo é permitido, mas nem tudo convém. Tudo é permitido, mas nem tudo é útil à fé. Que ninguém procure o seu próprio bem, mas sim o dos outros." I Cor. 10:23,24

Quando Paulo fala de carnes compradas no mercado e que talvez tivessem sido sacrificadas aos ídolos, ele explica em I Cor. 8: 8-13 dizendo "pela tua ciência perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu", acrescentando "assim... pecais contra Cristo." e "se o manjar escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne". (Ver também I Cor. 9, Romanos 14...) Paulo aplica também este pensamento à bebida: "É melhor não comer carne nem beber vinho nem fazer nada que leve o irmão na fé a cair no pecado. "Romanos 14:21

Há milhares de pessoas que não são bastante fortes para fazer uso moderado das bebidas alcoólicas, sem abusar delas. Para eles, beber um pouco que seja, já é uma ocasião de tropeço e na maior parte das vezes a sua recaída fatal. Querendo imitar a moderação dos que não abusam, eles caem depressa no pecado e perecem. Então é a lei do amor fraternal que leva o cristão a renunciar voluntariamente a um uso lícito para ele mesmo, mas que é ocasião de perdição para um irmão. Ele aceita por amor, o sacrifício ao qual o irmão mais fraco tem de se submeter, por força, para não se perder.

Pensando nos milhares, milhões de pessoas caídas, prejudicadas pelo álcool, resolvemos nunca mais beber álcool e também, provar às pessoas enganadas pela falsa propaganda, de que podemos gozar da vida, ter saúde, ter festas e ser social sem beber uma gota de álcool. Mas há ainda uma outra razão que milita a favor da abstinência do povo de Deus: é a nossa condição de mordomos do Senhor.

A Bíblia ensina-nos que o nosso corpo é o templo de Deus e que não somos de nós mesmos: "Não sabem que são templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?" I Cor. 3:16 "Não sabem que não pertencem a vocês mesmos, mas que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que está em vocês e que Deus vos deu?" I Cor. 6:19. Ela nos chama portanto a glorificar a Deus no nosso corpo que lhe pertence, avisando-nos ao mesmo tempo da condenação que há-de cair sobre todo aquele que destruir este templo.

Ora, é fácil convencer que o abuso das bebidas alcoólicas prejudica a saúde, leva o homem a expor sem necessidade o seu corpo a perigos, a desperdiçar as forças e as faculdades que ele devia utilizar para glorificar o seu Mestre. Pecando contra o seu corpo e não cuidando da sua saúde física e mental, o cristão peca contra Deus. Ele assemelha-se ao filho pródigo que desperdiçou o que tinha recebido do seu pai: "Poucos dias depois, o mais novo vendeu o que era dele e partiu para uma terra muito distante, onde gastou todo o dinheiro numa vida desregrada." Lucas 15:13 e também ao mordomo infiel que dissipou os bens do seu senhor: "Jesus disse aos seus discípulos: Havia um homem rico que tinha um feitor. Foram-lhe dizer que esse feitor desperdiçava os seus bens." Lucas 16:1. 


A abstinência é necessária também para quem quer levar uma vida vitoriosa: "Não sabem que, no estádio, todos os corredores tomam parte na corrida, mas só um é que recebe o prémio? Corram, portanto, de maneira a poderem recebê-lo. Aqueles que se preparam para uma competição privam-se de tudo. E fazem-no só para ver se conseguem um prémio, que, afinal, dura pouco. Mas nós trabalhamos por um prémio que dura para sempre. É desta maneira que eu corro e não como quem corre sem saber para onde. É assim que eu luto e não como quem dá socos à toa. Mas eu luto contra o meu corpo, para o dominar, a fim de não acontecer que, andando a pregar aos outros, seja rejeitado por Deus." I Cor. 9:24-27.

O cristão é ainda chamado a subjugar o seu corpo, a disciplinar os seus sentimentos e a refrear os seus impulsos para obedecer aos mandamentos de Deus: "A vontade de Deus é que vivamos honestamente, mantendo-nos longe da imoralidade. Que cada um saiba usar com dignidade e respeito o corpo que lhe pertence. Não se deixem levar pelos maus desejos como fazem aqueles que não têm fé em Deus." I Tes. 4:3-5. Deus quer que sejamos livres e fortes, em vez de escravos do mal.

Ora, já vimos que o álcool ataca primeiramente o cérebro, que é o centro do juízo e da vontade. Pela sua acção sobre o sistema nervoso, as bebidas alcoólicas, mesmo tomadas em pequenas quantidades, diminuem a capacidade de vigiar, de dominar-se a si mesmo, de lutar contra o mal e de pegar-se ao bem. Mesmo sem se embriagar, o cristão que faz uso de bebidas alcoólicas torna-se mais fraco diante das tentações, mais exposto a transgredir as leis divinas por falta de perfeita lucidez. Veja o que aconteceu aos dois filhos do sacerdote Aarão e o mandamento que Deus deu depois da morte deles. (Levítico 10:1-11). Devemos evitar tudo o que possa enfraquecer o nosso juízo e a nossa resistência aos pecados que o álcool facilita, tais como:

  • Irritabilidade e brutalidade, (Provérbios 23:29-30; 20:1);
  • Egoísmo, deslealdade, injustiça, (Habacuc 2:5; Provérbios 31:4-5; Isaías 28: 7);
  • Impureza, imoralidade, (Provérbios 23:33; Oséias 4:11);
  • Preguiça, (Lucas 21: 34; Ecles. 10: 17-18), etc.
A Palavra de Deus insiste também sobre a necessidade de sermos sóbrios: "Por isso mesmo, não andemos a dormir como os outros, mas sejamos vigilantes e vivamos com sobriedade. Tanto os que dormem como os que se entregam à embriaguez é de noite que o costumam fazer." I Tes. 5:6-7 "Mas tu, sê prudente em tudo, suporta as dificuldades, comporta-te como mensageiro da Boa Nova e cumpre a tua missão." II Tm. 4:5 "Por isso, tenham o espírito preparado para a acção. Estejam atentos e ponham a esperança no dom que lhes será concedido quando Jesus se manifestar." I Pedro 1:13. 

Todos estamos sujeitos à fraqueza e por isso o apóstolo Paulo diz: "Aquele que cuida estar em pé, olhe não caia" I Cor. 10: 12. Ele exorta-nos também a olhar por nós mesmos para que não sejamos também tentados: "Meus irmãos, se alguém for apanhado nalguma falta, vocês que têm o Espírito de Deus levem-no com mansidão ao bom caminho. E cada um de vocês tenha cuidado para não se deixar tentar." Gálatas 6:1.

Por todas estas razões achamos preferível renunciar às bebidas alcoólicas, não somente por amor dos irmãos que são fracos, mas também no nosso próprio interesse. "Vigiemos e sejamos sóbrios."

Abstinentes na Bíblia

Há na Bíblia vários exemplos de homens que renunciaram às bebidas alcoólicas. Todos eles receberam a aprovação de Deus.

1. Os recabitas (Jeremias 35). Apesar de terem vinho oferecido eles disseram: "não beberemos vinho. Nosso pai nos mandou: nunca jamais bebereis vinho. E Deus disse: Pois que obedecestes ao mandamento de Jonadab, nunca faltará varão a Jonadab".

2. Sansão e até a mãe dele, logo que ela concebeu a criança. "Guarda-te de que bebas vinho ou bebida forte" Juízes 13: 4-7. João Baptista Lucas 1: 15 e, de maneira passageira, os sacerdotes quando deviam entrar no Tabernáculo, "para que não morrais" Levítico 10: 8-11.

3. Os narizeus, pessoas que "se separavam, para o Senhor". Faziam um voto de abstinência total de bebidas alcoólicas (Números 6: 1-4, etc.). Vimos aqui uma relação entre uma consagração mais completa e a abstinência. O profeta Amós fala dos nazireus como testemunhas de Deus (Amós 2: 11-12, etc.) junto aos profetas, num tempo de idolatria e imoralidade.

Enfim muitas vezes a Bíblia mostra o mal do alcoolismo. Prov. 23:29-35, 20:1; Oséias 4: 11, etc.; Isaías 5:11 - 22; I Cor. 5:11, etc.

III. A LUTA CONTRA O ALCOOLISMO

Pode ser preventiva e curativa.

1. Profilaxia (prevenção da doença)

Esta luta preventiva estuda-se na higiene. É mais importante evitar a miséria a muitos do que tratar certas vítimas.

a) Nunca principiar. O grande presidente Lincoln, gostava de repetir o conselho que sua mãe lhe tinha dado e que ele seguiu toda a sua vida: "Não comeces a beber e não te tornarás um bêbedo".

b) Evitar contactos com bebedores – ou então visitá-los em grupo. Procurar amigos e ambientes saudáveis. Não entrar sozinho em lugares duvidosos.

c) Usar bebidas não alcoólicas, de fabrico caseiro ou comprados no comércio (gasosas, sumos, águas minerais). Recusar ir comprar bebidas alcoólicas. Nunca utilizar crianças para comprar bebidas alcoólicas.

d) Informar os amigos, sobre este problema. Ensinar a juventude a criar hábitos de bebidas saudáveis e de coragem na recusa do veneno do álcool. Ofereça livros e folhetos da Cruz Azul.

e) Não oferecer bebidas alcoólicas a ninguém, em especial ás crianças e jovens.

f) Escolha dirigentes que dêem um exemplo claro, verdadeiro e activo no assunto do álcool.

2. A cura do alcoólico

Para curar o alcoólico é fundamental que ele tenha o desejo sincero de nunca mais beber. Não se pode tratar um doente cujo cérebro já foi demasiado danificado. Sem abstinência total, não há esperança. De nada serve aconselhar o alcoólico a diminuir as quantidades da bebida pois milhares já tentaram dessa froma e recaíram. Os médicos especialistas nestes assuntos afirmam que o único caminho para manter a cura é a abstinência total.

Existem medicamentos para impedir o desejo de consumir álcool, criando uma reacção do corpo contra ele, mas tais curas só se podem fazer debaixo de vigilância dum médico. No entanto, lembre-se de que a medicina não possui meios mágicos para resolver o problema do alcoolismo, há sempre o problema da personalidade do alcoólico. Deverá sempre haver um trabalho de reeducação, e a Igreja e em grupos autoajuda os quais têm um grande papel a desempenhar e a verdadeira solução. 


Assim devemos pôr o doente em contacto com Cristo, ampará-lo com amor verdadeiro, animá-lo com a Palavra de Deus e suas promessas; ajudar a família a entrar num grupo de auto ajuda, para que tenham interesse no doente e compreendam o seu problema. Não se esqueça de que, deixar sozinho o alcoólico "curado", ou, pior ainda, deixá-lo voltar à companhia dos seus antigos amigos, é condená-lo à recaída.

Para o povo Evangélico: A luta contra o alcoolismo oferece um nobre campo de acção. Em vez de lamentar-mos os estragos à nossa volta, evitemos que os jovens caiam neste laço, amparemos aqueles que resolveram cortar com a sua diabólica escravidão e sobretudo anunciemos o Evangelho de Cristo, capaz de libertar, de dar a verdadeira vitória aos alcoólicos que se tornam então poderosos instrumentos de Cristo para ajudar vítimas ainda dependentes.

A Verdade sobre o Álcool
Dr. R. Bréchet

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